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Educational Passages PT / West

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Escolas Portuguesas: EB 2,3 Amadeu Gaudêncio e Externato Dom Fuas Roupinho

Escolas Estrangeiras: Escola de Westbrook (E.U.A.) e Escola de North Uist (Escócia)

Segue o WEST no website do Educational Passages

o estado do vento e das correntes e tenta prever a rota 

Vídeo produzido pela Valuma

Em Dezembro de 2013, a escola de Westbrook (Maine, EUA) lançou às águas do Atlântico um pequeno veleiro

de 1,42 metros de comprimento equipado com GPS. Entregue aos ventos e às correntes oceânicas,

o WEST navegou durante quase um ano e veio dar à costa em Portugal, na praia de São Pedro de Moel.

A partir da mobilização de várias entidades portuguesas ligadas ao mar foi possível recuperar este barquinho e envolver duas escolas na sua redecoração, num projeto educativo que teve como fim o lançamento do WEST nas águas do Atlântico.

Vídeo produzido pela Valuma

Vídeo produzido pela Valuma

A História do West

Quando em novembro de 2014, o WEST deu à costa na praia de São Pedro de Moel, pouco mais era que um casco sem vela, já muito gasto e carcomido pelo mar e pelo tempo. Mas o seu aspeto exterior escondia uma história incrível, que começara quase um ano antes no outro lado do Oceano.

O WEST foi batizado por alunos da Escola de Westbrook, no Maine (E. U. A.), e lançado ao mar em dezembro de 2013, numa iniciativa promovida pelo projeto norte-americano “Educational Passages”. Impulsionado pela força do vento e das correntes, navegou à deriva pelo Atlântico, sempre monitorizado via Internet pelos alunos de Westbrook que equiparam o barco com um GPS e um transmissor (via satélite). Quase um ano depois, o WEST chegava por fim a terra, dando à costa junto ao farol de São Pedro de Moel.

Luís Sebastião é um investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) do Instituto Superior Técnico (IST) que trabalha com robots marinhos. Soube da iminente chegada do WEST à costa portuguesa através do coordenador do “Educational Passages”, Dick Baldwin. As condições do mar obrigavam a um rápido resgate do barquinho e o investigador do IST não perdeu tempo: contactou o Eng.º Jorge Barroso da Ocean Puzzle, para apoio e coordenação local na Nazaré, e envolveu colegas do IST do centro MARETEC para realizarem simulações de modo a prever o local exato onde o veleiro iria acostar.

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No dia 12 de novembro de 2014, com a colaboração do Capitão do Porto da Nazaré e da Guarnição do Farol do Penedo da Saudade (São Pedro de Moel), foi possível resgatar o WEST ao mar. Tinha atravessado o Oceano Atlântico e navegado perto de 11 mil milhas. Esta longa travessia teve naturalmente reflexo no estado do barco que chegou a terra bastante desgastado e até com alguns percebes a viver no casco. Da vela, nem sinal...

Já com o WEST em terra, tornou-se mais fácil unir esforços de várias entidades no sentido de impulsionar a recuperação do veleiro. Ciência Viva, Kit do Mar-EMEPC, IST, MARETEC, Valuma e Ocean Puzzle aderiram à causa e juntos criaram o projeto “WEST leva Portugal ao Mundo”. Desde cedo contaram também com o apoio e patrocínio do projeto europeu Sea For Society e de duas empresas da Nazaré: DL-Publicidade e SILCAR.

Com a orientação do Kit do Mar, foi então lançado o desafio a alunos do 5.º ano de duas escolas da Nazaré: EB 2,3 Amadeu Gaudêncio e Externato Dom Fuas Roupinho. Após a recuperação do veleiro nos Estaleiros SILCAR, cada escola teria a seu cargo a pintura de um dos lados do casco do WEST e a redação de uma mensagem em português e inglês para acompanhar o barco na sua próxima travessia.

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As turmas foram divididas em vários grupos de alunos, que produziram várias propostas de decoração, sempre com um ponto em comum: havia sempre uma menção à região da Nazaré, fossem nazarenas ou ondas gigantes. A organização do projeto selecionou as melhores propostas (uma por escola) e levou o WEST às escolas para se proceder às pinturas no casco que transformaram este barquinho numa autêntica obra de arte.

 

No dia 19 de maio, este ‘novo’ WEST foi apresentado numa sessão pública no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa. O evento contou com a participação e apresentações de alunos das duas escolas participantes e incluiu uma tele-conferência skype com a Escola de Westbrook que lançara o veleiro no mar 17 meses antes. Alunos e professores americanos não esconderam o entusiasmo ao ver o barco todo remodelado e o empenho dos alunos da Nazaré. A apresentação de um vídeo produzido pela Valuma, que resumiu todas as etapas do projeto, chegou mesmo a emocionar participantes dos dois lados do Atlântico.

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Já só faltava devolver o WEST ao Oceano na expetativa de que voltasse a atravessar o Atlântico e fizesse chegar o trabalho destes alunos ao continente americano. No dia 6 de junho, o WEST foi lançado ao Tejo no Santa Maria Manuela, numa cerimónia que contou com a presença dos alunos das duas escolas da Nazaré que participaram na recuperação deste barquinho.

Imagens: ISR/IST

Reportagem TVI

Após o lançamento simbólico do WEST no rio Tejo, a Caravela Vera Cruz levou o pequeno veleiro para o lançar em mar alto. A bordo desta missão seguiram 8 alunos do projeto "A Ponte entre a Escola e a Ciência Azul" que participaram no lançamento.

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Mas, depois de ser lançado em alto mar pela Caravela Vera Cruz, o WEST "resolveu" dar meia-volta e regressar a Portugal ainda antes do final do mês de junho.

Uma vez apuradas as previsões do IST/MARETEC, que davam conta da possibilidade do WEST encalhar perto do cabo de Sagres, foi então mobilizada uma equipa de 5 pessoas, com representantes da EMEPC e do IST/ISR, que partiram ao resgate do barquinho. A bordo de uma embarcação da empresa Mar Ilimitado, esta equipa fez-se ao mar em busca do WEST, contando ainda com o apoio em terra de representantes do IST/MARETEC.

As esperanças de encontrar o pequeno barquinho nem sempre foram as maiores, mas pelas 6h15 de domingo (21 de junho), o WEST foi avistado a navegar tranquilamente nas águas algarvias.

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Com o objetivo de fazer o WEST regressar a terras norte-americanas, apurou-se que o melhor local para o largar rumo ao continente americano seria a partir do arquipélago da Madeira.

No dia 28 de setembro de 2015, com o apoio da companhia de transportes marítimos Transinsular, o WEST chegou ao arquipélago da Madeira a bordo do "Monte Brasil". 

Foi já em 2016 que o WEST voltou, por fim, ao Oceano. Como sempre, o Kit do Mar estimulou o envolvimento de escolas locais e assim foi possível contar com a participação de alunos das escolas madeirenses EB23 Dr. Horácio Bento de Gouveia e EB23 da Torre.

Em 27 de janeiro de 2016, após indicação e esforços do IST/ISR e do IST/MARETEC, foi possível avançar com o lançamento do WEST ao largo do Funchal. O evento decorreu a bordo do NRP Schultz Xavier e contou com o apoio do Departamento de Ciência da C. M. Funchal (através da Estação de Biologia Marinha do Funchal) e do Comando de Zona Marítima da Madeira.

Reportagem da RTP (Minuto 21)

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Depois do lançamento na Madeira, o WEST navega livremente pelo Oceano Atlântico. Chegou perto do continente americano, percorreu intrepidamente o Triângulo das Bermudas, mas os ventos acabaram por trazê-lo de volta à Europa.

A partir de meados de agosto, quase sete meses após o seu lançamento na Madeira, o WEST aproxima-se promissoramente da Irlanda. Em Portugal, a EMEPC e o IST/ISR continuam a seguir o rumo do barquinho e lançaram de imediato o apelo a marinheiros e cientistas marinhos irlandeses para que estivessem alerta para a iminente chegada do WEST.

Tinha aqui início uma extraordinária interação entre portugueses, irlandeses e norte-americanos. Todos a seguir o percurso do WEST e preparados para cooperar e trabalhar em conjunto na sua recuperação.

As respostas da Irlanda não se fizeram esperar. Enda Nolan, da Coastway Surveys, propôs-se a fazer voar um drone para procurar o WEST perto da costa. Derek Flanagan, da Irish Coast Guard, pôs a Marinha Irlandesa de sobreaviso. Já Pierce Purcell, director da Irish Sailing Association, contactou de imediato a Radio Kerry para que fizesse chegar o alerta a um público mais alargado.

A Guarda Costeira de Killala (no norte da Irlanda) chegou mesmo a fazer-se ao mar em busca do pequeno veleiro, mas sem sucesso. O WEST continuava imparável e acabou mesmo por passar a norte da ilha da Irlanda.

O seu destino era afinal a Escócia. No final de agosto chegava à ilha de North Uist, perto de uma pequena aldeia chamada Knockintorran. Realizaram-se novos contactos e acabaria por ser Jeremy Howarth, de um Bed & Breakfast local, quem encontrou o barquinho que será agora entregue a uma escola da região. Curiosamente, a ilha de North Uist terá esta designação porque em nórdico antigo UIST significaria "oeste" cuja tradução em inglês é, como todos sabemos, "west".

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Na Escócia, o WEST foi acolhido pela Escola de North Uist onde foi apresentado aos alunos. A escola desenhou um plano de trabalho em torno do WEST que vai envolver as disciplinas de Artes, Línguas, Ciências e Geografia.

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Marri Morrison é uma professora reformada que vive na ilha de North Uist, na Escócia. Foi ela que acolheu o WEST e que trabalhou com a escola local o projeto em torno do barquinho. Em outubro de 2017, fez-se à estrada e veio desde o norte da Escócia até Portugal, com o objetivo de nos devolver o WEST em mão. Foram quatro dias atrás do volante, completamente sozinha, atravessando Inglaterra, França e Espanha até chegar a Portugal. Foi recebida na Nazaré pelo Agrupamento de Escolas da Nazaré, precisamente pelos alunos que dois anos antes trabalharam, pintaram e lançaram o WEST no Oceano.

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O WEST seguiria então para a ilha da Madeira e, a 13 de novembro de 2017, integrou a regata transatlântica com outros dois barquinhos: o NADA e o Crimson Voyager. O triplo lançamento decorreu ao largo do Funchal com o apoio da Estação de Biologia Marinha do Funchal (polo do Observatório Oceânico da Madeira), da Marinha e do Clube Naval do Funchal.

O lançamento dos três mini-veleiros teve direito a transmissão online, que pode ser revista aqui.

Assim que foi devolvido ao oceano, o WEST pareceu inclinado e pouco estável, obrigando a equipa presente a recolhê-lo e a proceder aos necessários ajustes no lastro. Seria lançado ao mar, horas depois, já em perfeitas condições para enfrentar uma nova aventura.

O WEST seguiu então em bom ritmo, aproximando-se do arquipélago dos Açores. Cerca de duas semanas após o seu lançamento na Madeira, o GPS do WEST deixou de transmitir. Isto numa altura em que se encontrava já muito próximo da ilha de Santa Maria. A expectativa é a de que o WEST tenha encalhado numa posição que impede a transmissão de dados por GPS.

Para já, apesar de todos os esforços e do auxílio do Parque Natural de Santa Maria, ainda não foi possível localizar este barquinho. Mas há esperança!

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